
Brasília - O mercado está vivendo um momento de “irracionalidade”, na avaliação do ministro da Fazenda, Guido Mantega. Em entrevista coletiva concedida hoje (6), há pouco, Mantega classificou a atual crise financeira internacional como a pior desde 1929.
“Estamos num momento de irracionalidade e comportamento de manada, é o pior momento”, afirmou. No seu entendimento, um dos grandes problemas hoje é a perda de confiança nas instituições financeiras, o que se reflete no mundo todo e causou, no Brasil, a queda da bolsa e a valorização do dólar.
“Estamos, a meu ver, no momento mais agudo dessa crise. Acredito que essa situação aguda deverá se dissipar, é impossível imaginar que se terá o sistema financeiro internacional travado como está hoje. Certamente isso será superado”, afirmou, frisando que todos os governos devem agir para enfrentar a crise e que há expectativa dos ajustes que serão promovidos nos mercados europeus.
Apesar do otimismo, Mantega destacou que, passada a tempestade, o cenário financeiro internacional será de menos crédito e taxas de juros mais elevadas, com conseqüente redução do ritmo de crescimento da economia mundial, inclusive do Brasil.
“O Brasil não está imune à crise, evidentemente. É uma crise global, atinge a todos os países”, afirmou. "[A crise] Atinge menos países mais sólidos, como é o caso do Brasil e outros países, onde não temos problema de solvência. Aqui não há ativos podres, embora estejamos sofrendo problemas de liquidez em função desse estrangulamento do crédito, em escala internacional,”analisou.
História - A Crise de 29
Com o término da Primeira Guerra Mundial os Estados Unidos passaram a ser o grande nome do capitalismo mundial. De maior devedor, o país passou a posição de maior credor mundial, pois concederam grandes empréstimos a outros países, vencedores e perdedores. Além disso, investiram na reconstrução da Europa e, ao mesmo tempo exportavam bastante para esse continente.Porém, a partir de 1925, apesar de toda euforia, a economia norte-americana começou a ter sérios problemas. Enquanto a produção industrial e agrícola desenvolveu-se num ritmo acelerado, o aumento salarial foi muito lento. Além do mais, em conseqüência da progressiva mecanização da indústria e da agricultura o desemprego foi crescendo consideravelmente.
Após recuperarem-se dos prejuízos da guerra, os países europeus passaram a comprar cada vez menos dos Estados Unidos e a concorrer com o mesmo nos mercados internacionais. Pela falta de consumidores externos e internos, começaram a sobrar enormes quantidades de produtos no mercado norte-americano, caracterizando, assim, uma crise de superprodução, ou seja, muita mercadoria e poucos consumidores.
Na tentativa de controlar essa crise, os agricultores passaram a armazenar cereais. Para isso, tiveram que pedir empréstimos aos bancos, oferecendo suas terras como garantia, muitos perderam seus bens. Já as indústrias se viram forçadas a desacelerar o ritmo da produção e, conseqüentemente, a despedir milhares de trabalhadores, o que afetou ainda mais o mercado consumidor.
Apesar da crise vivida naquele momento, os pequenos, médios e grandes investidores mantiveram suas especulações com ações. Isto é, comercializavam esses papéis por valores que não condiziam com a real situação das empresas. No entanto, chegou o momento em que a crise atingiu a Bolsa de Valores de New York, um dos importantes centros do capitalismo mundial. Os preços das ações começaram a cair, os acionistas entraram na corrida para tentar vendê-las, mas não havia pessoas interessadas. No dia 29 de outubro de 1929, havia cerca de 13 milhões de ações à venda, mas faltavam compradores. O que resultou na queda dos preços das ações, provocando a quebra (crash) da Bolsa de New York.
