Como definir um quadro que mistura a estética dos quadrinhos e dos desenhos animados com idéias da publicidade, do design gráfico, do punk-rock e do grafite, tudo temperado com uma pitada do surrealismo de Salvador Dalí? “Pop surrealism” – surrealismo pop, em inglês – foi a resposta encontrada pela americana Kirsten Anderson, dona da galeria de arte alternativa Roq la Rue, em Seattle. Ela cunhou o termo quando editava um livro sobre o novo tipo de pintura contemporânea que via se multiplicar na Costa Oeste americana. O volume Pop Surrealism: the Rise of Underground Art, lançado em 2004, foi a ponta de lança do movimento que saía do subterrâneo para ganhar o circuito de arte. Nos últimos anos, centenas de galerias se especializaram em surrealismo pop nos Estados Unidos. Uma das mais importantes é a Jonathan Levine, de Nova York. Pela primeira vez, o Brasil vai conhecer artistas representados por Levine na exposição MADE IN AMERICA, na Galeria Choque Cultural, em São Paulo.
É até estranho que uma corrente tão em moda tenha tido origem num conceito autodepreciativo: “lowbrow”, usado pelo cartunista Robert Williams nos anos 90 para definir suas pinturas. O termo quer dizer “baixo nível”, em oposição à expressão “highbrow”, que designa um produto cultural como “cabeça”.
“Quando fiz o livro sobre surrealismo pop, os artistas chamados ‘lowbrow’ já expunham em galerias”, diz Kirsten Anderson. “Por isso tive de criar outro termo.” Kirsten afirma que, há dez anos, vendia pinturas dos artistas lowbrow por algumas centenas de dólares. “Hoje as quantias chegam a US$ 15 mil.”
Para um artista pertencer a esse grupo crescente de pintores, agora sob o guarda-chuva do conceito de surrealismo pop, há alguns requisitos. Primeiro: o trabalho tem de ser figurativo, ou seja, envolver figuras reconhecíveis e fugir do abstrato. Segundo: ele deve extrapolar a realidade, mostrando situações inusitadas, a exemplo do surrealismo, a vanguarda artística dos anos 20 que trouxe o sonho para as pinceladas. Terceiro: é preciso ter uma técnica apurada em desenho. Esses requisitos são preenchidos pelos artistas que têm obras expostas na Choque Cultural. Ver suas obras, além de encantar os olhos, é a oportunidade de testemunhar o florescimento de um novo movimento artístico.

Souther Salazar - As telas com o traço infantil de Salazar são compostas de várias técnicas: colagem, desenho e pintura. Ele fez uma parceria com a loja de Los Angeles Giant Robot, especializada em cultura pop, para a qual desenha camisetas.

Tim Biskup - Além de pintor, Biskup é DJ e empresário. Abriu a Bisbop Gallery, que vende obras de arte, roupas e objetos de decoração em Pasadena, Califórnia. Ele trabalhou nos mais importantes estúdios de animação dos EUA, como o Cartoon Network.
Jeff Soto - Formado em Artes pela Art Center of College Design, na Califórnia, Soto também usa sua experiência com o grafite para criar formas fantásticas, futuristas e urbanas.
Camille Rose Garcia - A artista de 37 anos mora em Los Angeles e tem um gosto por personagens macabros. Entre suas influências estão a série de TV Família Addams e o rock do grupo inglês The Clash. Ela fez mestrado em Artes na Universidade da Califórnia.


2 comentários:
Oi Alexandre
Obrigada pelos comentários!
Bom final de semana pra ti tbm!
Gostei dessa arte moderna.
Bjoos
O surreal à primeira impressão parece agredir nossos conceitos primárias ou até nosso olhar. Mas com minúcia na análise é possível perceber a proposta de inovação de conceito ou no mínimo de imaginação sobre as formas e conceitos já dados. Com o surreal o destino da viagem ruma à percepção um pouco mais aguçada do possível imaginado e do impossível concreto. O surrealismo oferece múltiplas possibilidades de visões, o necessário é só a sensibilidade.
Bjos
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